sábado, 27 de dezembro de 2008

Cena comum

Rodoviária de Caxias do Sul cheia.
A neta corre para uma das filas do guichê.
Acho que vai dar tempo, diz ela ao avô.
Sim, acho que vai dar, faltam 20 minutos ainda, concorda o franzino senhor.
Você tem dinheiro? Senão eu tenho, diz o solicito vovô.
Não se preocupe que eu tenho, garante a neta.
Só preciso pegar aquela sacola de roupa suja que deixei no seu carro, prosseguiu ela.
Deixa que eu pego, se ofereceu o avô.
Em minutos, ele estava de volta com a sacola em mãos.
O senhor pode ir agora, pois dará tempo para eu comprar a passagem: faltam 15 minutos para as 19h, que é o horário do ônibus a Gramado.
Posso ficar esperando você entrar no ônibus, porque o horário de visita lá no hospital se inicia às 19h30min, respondeu o senhor.
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Eis uma cena muito comum na Pérola das Colônias.
Eis uma cena comum nas várias cidades brasileiras de porte médio e cujos hospitais lotam de gente vinda do interior.

Vai tempo

Vai tempo
Beija a menina e diga que não é mais o mesmo
Durma com o velho e diga que não é mais o mesmo
Vai tempo, se joga no colo da mãe
Como o bebê a se lambuzar de leite.

Vai tempo
Não se esquiva do sangue que o mundo ainda derrama
Não fuja da guerra que os povos do oriente médio ainda travam
Não corra da experiência que a ruga da idosa ostenta
Ahh, e não esqueça de embalar o bebê que ainda beija o seio e mama.

Vai tempo
Retira da terra mais que comida
Produza essências e sonhos em vez de consumo
Substitua a lágrima do sofrimento
Troque-a por energias, cheiros bons e esperanças.

Vai tempo
Degusta a fruta que a árvore ainda oferece
Brinca com a existência de quem tem mais de 80
Aprenda com o adolescente e suas esquisitices e verdades
Deixe-se carregar pelo pai adulto que ainda acredita em você.

Eu sou do povo - Ato I

Estava observando alguns de meus gostos sociais e percebi o quanto sou brega e bem povão. Detalhe: não estou nem aí por ser.
Visitei uma nova loja de R$ 1,99, que abriu recentemente em Caxias,
no térreo de um hotel, onde antigamente existia um bar de classe média, e amei.
É enorme, tem uma penca de coisas e ainda um som alto com músicas para todos os estilos.
Lá de vez em quando, eu e meu namorado vamos tomar sorvete de uva e nata na praça Dante. Sentar no banco e observar os diferentes jeitos e visuais das pessoas, namorando e degustando um barato sorvete, me agrada.
Amo promoções. Acho um absurdo pagar horrores de dinheiro em roupas e acessórios que você consegue adquirir por um preço mais em conta. Por isso, pouco ligo para marcas e não me envergonho de pesquisar e pesquisar. Envergonho-me muito menos de pechinchar. E olha que eu pechincho mesmo.
Como todo mundo, gosto de ser bem atendida em quaisquer estabelecimentos. Quando não sou bem atendida, até me faço de elegante/tolerante, mas, no final da compra, se não reclamo à pessoa que me atendeu, olho para os lados em busca do gerente. Se encontro, passo a ele meu relato sobre o péssimo atendimento. Se não encontro, tento avistar uma caixa de sugestões para descrever a maneira que me atenderam, sempre lembrando de colocar as características de quem atendeu, para que, futuramente, ninguém caia na angústia que caí. Não é vingança não. É direito de consumidor! 'Genti' chique não reclama, mas eu reclamo!
Gosto de comida simples: polenta com guisago e salada. Aprecio sagu molinho, molinho. Uma caipirinha é imprescindível. E existe aperitivo mais em conta e gostoso que uma caipira? Duvido.
Sinto verdadeira emoção ao conversar com pessoas simples. Sejam elas de qualquer canto da cidade ou do mundo. Sempre sai um bate-papo proveitoso e acompanhado de risos ou de partilhas de sofrimentos e dúvidas... As pessoas simples me encantam. E a maioria delas eu encontro no meio do povo, no meio de gente como eu, que tem gostos parecidos com os meus...