sexta-feira, 29 de junho de 2007

Intrusa

A mão não queria parar. Pensou, por instantes, que havia perdido o controle. E havia mesmo. A mão foi escorregando o corpo esguio como se já conhecesse o caminho, como se o território já tivesse por ela sido reconhecido. Mão insensata, escorrega desobediente. Não sabe bater à porta, por isso desliza sem rumo, desliza como intrusa. Desliza como devastadora.
E a mão não queria parar mesmo, pois o sentido estava correto, o prazer estava a contento, o desejo seguia na direção certeira. Mão audaciosa, avassaladora, insubstituível. Já conhecia o caminho. Curvas nada vistosas, mas suficientes para fazê-la delirar, sem controle, escorregando ao corpo.

Doce animal

Manga larga provou o doce
De aveia e mel
Sem mistérios

Quis dois potes
Lambeu todos
Fácil, fácil

Seu doce
Não tinha segredo
Só aveia e mel

Fácil, fácil de provar
Lambeu todos
Sem potes, sem mistérios.

Bei, bei, beije-me, please

Quero teu beijo já, já, já
Do jeito que só eu sei que é bom
Do jeito de experimentar só teu

Já, já, já quero teu beijo
Bom como só eu sei o jeito
De experimentar como só tu sabes

Já quero teu beijo
Do teu e do meu jeito
Bom de experimentar que só nós sabemos

Teu beijo, please!

Soletrar

O moço soletrou no ouvido dela
A frase que de tão esperada deixou de ser

Não era insulto, nem palavrão
Era verbo de amor

Daqueles que mesmo se fosse sentido só com os olhos
Seria possível perceber significado

Sílaba a sílaba, minuciosamente
Gostoso, perfeito

Frase cravada letra por letra
E, uma a uma, emendadas como se fossem sentimentos

E eram, os mais puros e singelos sentimentos
Frase com verbo de amor que nunca se acaba

No ouvido dela, o moço quis de novo soletrar
Baixinho, baixinho, tão baixinho que faltou tempo para ele dizer

Sílaba por sílaba o quanto a amava
Letra por letra, gostoso, perfeito.