sexta-feira, 29 de junho de 2007

Soletrar

O moço soletrou no ouvido dela
A frase que de tão esperada deixou de ser

Não era insulto, nem palavrão
Era verbo de amor

Daqueles que mesmo se fosse sentido só com os olhos
Seria possível perceber significado

Sílaba a sílaba, minuciosamente
Gostoso, perfeito

Frase cravada letra por letra
E, uma a uma, emendadas como se fossem sentimentos

E eram, os mais puros e singelos sentimentos
Frase com verbo de amor que nunca se acaba

No ouvido dela, o moço quis de novo soletrar
Baixinho, baixinho, tão baixinho que faltou tempo para ele dizer

Sílaba por sílaba o quanto a amava
Letra por letra, gostoso, perfeito.

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