sábado, 9 de junho de 2007

Sem afrouxar

Tudo apertado, apertadíssimo.
A calça não fecha, o zíper emperra.
A manhã já se esgotou.
Corre, porque não há mais tempo. O ônibus quase se foi.
Sorte da ponta fina do sapato mais alto que escapuliu da gaveta na hora em que a moça tentava escolher o calçado do dia e que agora ficou preso na porta do coletivo.
Ufa, tempo doido, quase intolerável.
Senta no banco do urbano e ajeita o casaco. O seio está quase à mostra.

Tudo espremido, espremidíssimo.
Vai, desce rápido. A mensagem do inconsciente dá o alerta.
É melhor descer nesta parada porque até a próxima sinaleira abrir
muitos segundos passarão e você poderá se atrasar.
Por falar em atraso, só faltam dois, dois, dois minutos.
Corre, corre, corre... O corpo da moça quase não agüenta tanta loucura.
Mas vale a pena porque a hora é agora.

Fututo condensado, condensadíssimo.
Fala pausadamente. Mostre que és capaz de controlar
a ansiedade que o relógio nunca conseguiu segurar até hoje.
Sem afrouxar a postura, siga em frente.
E faça de conta que o tempo é seu amigo.
Só por alguns minutos, só por mais cinco segundos.
Só até esta entrevista de emprego acabar. Leve, levíssima.
Van - 10.06.07

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