terça-feira, 27 de novembro de 2007

Desatino

Esse desatino tem nome
É Aurora do que já foi
É Aurora do que já é
É Aurora de todo o dia

Da favela, Aurora geme
Aurora treme
A falta de prato
A falta de tato

Do dono, o dono da favela
Que é o tolo,
O tolo político da engorda
Que engorda com aquilo que rouba

Da Aurora, que já não tinha nada
Do filho da Aurora, que já não tem futuro
Porque é filho da política desgraçada
Que mora mora mora privilegiada

Dela, só sai asco
Só sai fel
Nada de prudente
Pois só fabrica indigentes

De piolho na cabeça,
De futuro sem sorte,em desatino
De certidão sem nome
De favelas entulhadas de Auroras.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Pedido de socorro

Fugir é o pensamento que ronda
É o pedido entregue na caixinha da igreja
Fugir da hipocrisia sentada bem ao lado
Ficar, só se o mundo virar de cabeça para cima

Ficar só com a esperança da liturgia
E das tarefas e pessoas de bom coração
Com a fé daqueles que buscam e fazem amor
Fugir, para evitar o tormento dos maus

Fugir com o sincero abraço de quem se ama
Com a memória da infância que quase escapuliu
Por conta da cruel indiferença da vida adulta
Permanecer, só se a órbita gritar por socorro.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Sábia

Nasce inquieta
doses de descobertas lhe mobilizam
Para alguns, afrouxa a calça
para outros, aperta o umbigo

Percorre o corpo
deixando demonstrações de passado
No rosto, a estampa mais evidente
se firma em desarmônicos fios de sonhos

No início, o desejo é de passagem rápida
No fim, de lentidão anestésica
Só ela experimenta, só ela movimenta
Sábia, sábia, elástica e terna idade.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Nada de estranho

Não é hora para esquesitíces.
É instante para dramas saudáveis.
De rápida aceitação.
Também não é momento para novelas óbvias.
Elas repetem o mesmo enredo e quase os mesmos personagens.
É a vez do drama saudável.
Sem muito choro, nem extravagâncias e risos.
Drama de gente louca que se acha normal.
Drama de cidadãos comuns.
Drama do tipo Heitor Dalia.
Que de tão estranho já virou banal.
Portanto, não mais surpreendente.
É hora do seu drama diário.
Nada de estranho, só vida real.

Doce, doce

O doce mais doce e gostoso da humanidade
Escorre
como a deliciosa noite que se quer que vire eternidade
Suja
como a lama do banho terapêutico saboreado a dois
Lambuza
como o beijo de fel que a aranha seduzida pelo homem consegue cravar
Derrete
como a adolescente de fronte do ídolo estampado na pseuda tela da TV
Queima
como a azia do porre malcurado que vira sacrilégio na manhã seguinte
Estoura
como bola de sonho melequento que só se tem com amores impossíveis
Desliza
como quem se apaixona feito donzela entregue ao príncipe
Desaparece (facilmente)
como sorvete sorvido por amantes em doses homeopáticas de paixão.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Intrusa

A mão não queria parar. Pensou, por instantes, que havia perdido o controle. E havia mesmo. A mão foi escorregando o corpo esguio como se já conhecesse o caminho, como se o território já tivesse por ela sido reconhecido. Mão insensata, escorrega desobediente. Não sabe bater à porta, por isso desliza sem rumo, desliza como intrusa. Desliza como devastadora.
E a mão não queria parar mesmo, pois o sentido estava correto, o prazer estava a contento, o desejo seguia na direção certeira. Mão audaciosa, avassaladora, insubstituível. Já conhecia o caminho. Curvas nada vistosas, mas suficientes para fazê-la delirar, sem controle, escorregando ao corpo.

Doce animal

Manga larga provou o doce
De aveia e mel
Sem mistérios

Quis dois potes
Lambeu todos
Fácil, fácil

Seu doce
Não tinha segredo
Só aveia e mel

Fácil, fácil de provar
Lambeu todos
Sem potes, sem mistérios.

Bei, bei, beije-me, please

Quero teu beijo já, já, já
Do jeito que só eu sei que é bom
Do jeito de experimentar só teu

Já, já, já quero teu beijo
Bom como só eu sei o jeito
De experimentar como só tu sabes

Já quero teu beijo
Do teu e do meu jeito
Bom de experimentar que só nós sabemos

Teu beijo, please!

Soletrar

O moço soletrou no ouvido dela
A frase que de tão esperada deixou de ser

Não era insulto, nem palavrão
Era verbo de amor

Daqueles que mesmo se fosse sentido só com os olhos
Seria possível perceber significado

Sílaba a sílaba, minuciosamente
Gostoso, perfeito

Frase cravada letra por letra
E, uma a uma, emendadas como se fossem sentimentos

E eram, os mais puros e singelos sentimentos
Frase com verbo de amor que nunca se acaba

No ouvido dela, o moço quis de novo soletrar
Baixinho, baixinho, tão baixinho que faltou tempo para ele dizer

Sílaba por sílaba o quanto a amava
Letra por letra, gostoso, perfeito.

sábado, 9 de junho de 2007

Sem afrouxar

Tudo apertado, apertadíssimo.
A calça não fecha, o zíper emperra.
A manhã já se esgotou.
Corre, porque não há mais tempo. O ônibus quase se foi.
Sorte da ponta fina do sapato mais alto que escapuliu da gaveta na hora em que a moça tentava escolher o calçado do dia e que agora ficou preso na porta do coletivo.
Ufa, tempo doido, quase intolerável.
Senta no banco do urbano e ajeita o casaco. O seio está quase à mostra.

Tudo espremido, espremidíssimo.
Vai, desce rápido. A mensagem do inconsciente dá o alerta.
É melhor descer nesta parada porque até a próxima sinaleira abrir
muitos segundos passarão e você poderá se atrasar.
Por falar em atraso, só faltam dois, dois, dois minutos.
Corre, corre, corre... O corpo da moça quase não agüenta tanta loucura.
Mas vale a pena porque a hora é agora.

Fututo condensado, condensadíssimo.
Fala pausadamente. Mostre que és capaz de controlar
a ansiedade que o relógio nunca conseguiu segurar até hoje.
Sem afrouxar a postura, siga em frente.
E faça de conta que o tempo é seu amigo.
Só por alguns minutos, só por mais cinco segundos.
Só até esta entrevista de emprego acabar. Leve, levíssima.
Van - 10.06.07

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Diga que há

Um lugar sem fronteiras
Sem beiras
Só céu, só mar

Um lugar de todos
E de ninguém
Capaz de abrigar apenas um EU e um VOCÊ

Esse lugar talvez nem tenha graça
Afinal, também há amores sem graça
Sim, só não quero que o meu seja assim: sem graça

Quero um lugar engraçado
Cheio de NÓS
Sem fronteiras, sem beiras, só céu, só mar.

sábado, 28 de abril de 2007

Quem sou

Olá!
Sou a Van, um ser humano teimoso demais a ponto de querer que o mundo respire poesia, que o mundo ame leitura como ela e que o mundo seja tudo menos um ser acomodado. Bem-vindo, bem-vindo, bem-vindo em meu blog!!! É um prazer recebê-lo (a) por aqui.
Abs, Van