Meu namorado diz que sou feminista. E sou. Mas minha luta não é de bandeira estendida e à mostra a plateias. Minha bandeira é cotidianamente empunhada nas pequenas ações e percepções. Vejo que as mãos femininas avançaram muitas casas. Elas regem este meu país. Mas, ainda estão longe de percorrerem mais espaços e de receberem o justo salário e o devido respeito quando é hora de decidir.
Devo dizer que observo avanços. Pontos para as guerreiras que exibem a bandeira na cor lilás bem ao alto. Mas também percebo que, por vezes e involuntariamente, reproduzimos atitudes que priorizam a inclusão masculina. Não que isso seja planejado. Pelo contrário. Está ainda impregnado na nossa cultura. Para ilustrar, cito dois exemplos.
Outro dia, meu irmão se interessou por um curso de mestrado numa instituição de ensino da região. Decidiu, então, dar uma olhada na nominata de professores escalados. Para sua surpresa, a lista continha só homens. Arrisco novamente a dizer que isso não foi arquitetado, claro que não. A questão de debate, repito, está no fato de que nossas escolhas costumeiras priorizam os homens.
Mais um exemplo: na lista de 21 pastas/secretarias que aparecem no site do atual governo gaúcho, apenas quatro são comandadas por mulheres (14%). E, se subirmos na escada do poder político, a presença feminina no Senado e na Câmara Federal fica na faixa de 10% ou nem isso, para nossa tristeza. Já no Planalto, a situação é um pouco mais animadora: entre 37 ministros, nove são mulheres, ou seja, cerca de 20%. Mesmo assim, não chega nos 30% da cota para mulheres que os partidos precisam respeitar.
Efetivamente, nossa representatividade política ainda é baixa, embora sejamos a maior fatia de eleitores. Em outros campos, também não estamos na linha de frente. Nossos salários na indústria correspondem a 55% do que ganha o público masculino, segundo levantamento recente divulgado pelo Observatório do Trabalho da Universidade de Caxias do Sul.
Talvez esses cenários ainda desfavoráveis a elas, ou melhor, a nós, prevalecem porque na queda de braço por espaços, os homens "gritam" mais forte. E a barreira que existe está ainda pendida para um lado machista, embora apareça estampada de palavras e cores pró-feminismo.
2 comentários:
Vani! adorei teu texto..muito bom....engraçado q apesar de tudo estudamos muito mais q eles em tempo de estudo...o CAGED q é um banco de dados do MTE mostra claramente os dados da smulheres trabalhadoras.
bjão e saudades
Jordana
reflexão
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