Tensão no Rio de Janeiro. Tensão em Caxias do Sul. Pessoas são mortas à queima roupa lá e aqui. No cerne da matança: o tráfico. Vidas são dispensadas por outras vidas que julgam serem capazes de fazer justiça. Mas de que justiça estamos falando? Para além das regras sociais, aquilo que é justo para mim pode não ser para você... Ao cobrir um assassinato no bairro Kayser, em Caxias, no último sábado, e ao acompanhar pelos veículos de comunicação a ação nas favelas cariocas, reforcei minha preocupação com a vida.
Por que e como as pessoas têm coragem de matar seus semelhantes? Desde janeiro deste ano, já são mais de 120 homicídios em Caxias. Alguns, por vingança, outros, por acerto de contas ou brigas. Todos, entretanto, por motivos que não se justificam.
Como deixamos o crime organizado crescer tanto no Rio de Janeiro e, hoje, é necessário decretar um Estado de guerra para evitar que o morticínio seja ainda maior ali na frente?
Muitas vezes, vamos permitindo, mesmo inconscientemente, que as condições de desumanidade e de falta de limites se aprofundem, principalmente quando passamos a considerar a violência como normal, a droga como banal e a falta de tolerância como algo compreensível.
Temos sim que voltar a nos ocupar da indignação. Quanto mesmo vale uma vida? Alguém já pensou em fazer os cálculos? Claro que essa quantificação inexiste. Minha vida, sua vida, a vida dos outros são impagáveis. Por mais que alguém cometa erros ou prejudique outras pessoas ou o Estado, não acredito que a morte seja a forma mais adequada de punição. Mas, logicamente, que, dependendo das circunstância, a exemplo da realidade carioca, algumas ações mais rígidas se impõem como necessárias.
A própria ocupação da Favela do Alemão pela polícia, que começou neste domingo pela manhã, carrega dois símbolos: por um lado, mostra uma condição limite e, de outro, um aceno de esperança a quem por anos convive entre tiros e negociações que têm o entorpecente como matéria-prima mais visada.
Minha torcida, neste momento, é para que as execuções aqui em Caxias e o extermínio de vidas e o avanço do submundo da droga lá no Rio, ao menos, amenizem... Pois, momentos de guerra, de aflição e de morte não são feitos para toda vida. Janelas de paz costumam se abrir quando a sociedade se articula e se movimenta para isso.
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