sábado, 10 de maio de 2008

Avalanche de marcas. Socorro!!!

Olho para um lado, vejo marcas. Olho para outro lado, vejo marcas. Mudo o ângulo e só marcas. Elas estão nas roupas, nos esportes, nos carros, nas cozinhas e restaurantes, nos produtos de limpeza, nos brinquedos, nos outdoors, nas cestas de lixo. É uma avalanche delas atormentando e seduzindo as pessoas. Por trás de tudo, a indústria da publicidade, do marketing, da mídia e das celebridades movimentam esse mercado. Estrategicamente, a primeira ação começa na infância, estágio em que a persuasão, o convencimento e a fidelização do consumidor se tornam mais fáceis.
- Quero um refrigerante - pede o menino ao dono da lanchonete.
- Tem de ser Coca-Cola - exige o pequeno referindo-se a um dos principais sucessos mundiais do setor.
- Mãe, você precisa comprar para mim a bolsa dos Rebeldes (ou RBD), a camisa da Hello Kitty, e a Barbie traje festa - reivindica a menina de cinco anos num gesto que virou febre entre tantas de sua idade.
- Cada vez mais cedo o imaginário infantil é cooptado e povoado por marcas e logos, os ícones do consumo - explica o doutor em Teologia e professor-pesquisador da Faculdade de Filosofia e Teologia da Universidade Católica de Goiás, Alberto da Silva Moreira.
As marcas, detalha ele em artigo sobre Cultura Midiática e Educação Infantil, viraram religião.
- Sem deveres nem castigos, a religião do consumo só promete recompensas. Por isso conta com a adesão entusiasta das crianças, pois a inteligência, a sofisticação e a interatividade embutidas na propaganda fascinam e envolvem pelo prazer que produzem - constata o teólogo.
Antes de alfabetizadas na escola, as crianças são alfabetizadas pelas marcas e submetidas a uma saturação simbólica sem precedentes. Isso pode influenciar atitudes nas fases da adolescência e adulta. O adolescente pede o tênis da onda, os jovens, as griffes do momento, e os mais velhos acabam se adaptando ao clima, confiantes de que tudo é reflexo da modernidade. A maior adesão vem das classes privilegiadas, mas as marcas também encantam classes menos abastadas. Afinal, estão em todo o canto numa ânsia de conquistar discípulos. Só espera-se que o fundamentalismo dessa atração não traga prejuízos sem volta à sociedade. Um olhar crítico de pais e educadores sobre o consumo excessivo cairia bem ainda mais se debatido de forma espontânea com a própria criança. (13/11/2006)

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