Tempo que vem e tempo que vai. E se vai aceleradamente. Deveríamos manter uma relação de íntima amizade com o relógio. Assim, talvez, ele pudesse ser mais solidário conosco. Mas tornar-se amicíssimo do tempo nem sempre é possível. Quando ele pede passagem, parece não estar nem aí conosco: passa e pronto. E quando a gente deseja que o ponteiro ande mais devagar, só ouvimos o tic-tac agilizar sua função. Foram apenas cinco segundos de atraso e o ônibus da Visate segue tranqüilo a 20 metros de distância da parada. Droga! Sim, droga mesmo. Agora o negócio é esperar o outro coletivo.
E no sentido inverso o dilema se repete. O calendário aponta para a segunda-feira, mas a vontade é de que chegue logo o sábado. A semana, porém, teima em se arrastar mesmo diante de uma agenda lotada de trabalho e tarefas. Quanto mais o sábado e o domingo são aguardados, mais lentas se transformam as horas. Finalmente vem o final de semana. Que maravilha! É preciso aproveitar cada fração de minuto, porque no sábado e no domingo, quando os encontros em família, de amor ou de amigos ocorrem com mais intensidade, o relógio parece que se irrita e começa a adiantar. No corre-corre contra o tempo, fica difícil degustar profundamente o carinho da mãe, do pai, do vô, da vó... Fica complicado resistir à tentação de virar a noite na festa com os colegas. Mas o difícil mesmo é ter de despedir-se de quem a gente gosta, sabendo que o encontro seguinte vai demorar uma semana, um mês ou até dois. Nesse caso, sobra de consolo a companhia da saudade.
Saudade... Pensando bem, nem tudo está perdido nessa questão do tempo. Como Deus não atribuiu aos humanos a competência de controlar os segundos conforme suas conveniências, resta-nos uma alternativa: fazer de conta. Por que não vivermos esta terça e quarta-feiras como se fossem fim de semana? Inspirados por Vinicius de Moraes, poderíamos tentar, não?
"Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar (...)
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar (...)."
(11/9/2006)
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