sábado, 10 de maio de 2008

Deputados, que solidariedade, em?

Ao longo de meus 27 anos, mais precisamente na última década, tenho estudado muito para desempenhar minha função com competência e também para adquirir uma estrutura mínima de vida (pagamento do aluguel e assegurar os custos da alimentação, das necessidades médicas e do lazer básico). A cada Natal, como a maioria dos brasileiros, rezo e agradeço a Deus pela saúde, pela família e amigos, pelas pequenas conquistas financeiras. Sim, porque guardar R$ 100 de reserva todo mês não é tão fácil quanto parece.
No Natal deste ano, entretanto, minha oração envolverá solidariedade a um grupo especial de pessoas: os integrantes do Congresso Nacional que se presentearam com um aumento de 90,7% nos próprios salários. Há tempo eu vinha observando a 'miserável' remuneração dos parlamentares e senadores. Sentia pena ao imaginar a dificuldade deles sobreviverem com R$ 12,8 mil e R$ 12,7 mil mensais, respectivamente. Você, leitor, também já deve ter sentido uma comiseração no peito ao tentar visualizar o sacrifício dos deputados e representantes do Senado para sustentarem a família.
É claro que estou sendo irônica. Afinal, quando penso nesses salários exorbitantes só sinto pena de mim e de quem habilmente consegue manter-se com um mínimo de R$ 350 ou próximo desse valor. Neste Natal, então, farei uma prece e um agradecimento especial aos congressistas (exceto aos que se posicionaram contra, lógico) pela generosidade para com os moradores da nação. Nunca imaginei que fosse tão fácil duplicar um salário, já que, a partir de 2007, os 513 deputados e 81 senadores ganharão 24,5 mil por mês, sem contar a avalanche de outros privilégios em vigor. Nunca imaginei que fosse tão simples utilizar à toa o dinheiro da população. Será que os brasileiros são merecedores desse presente natalino? Obrigada por tamanha gentileza, senhores congressistas. Obrigada mesmo, de coração! Na minha modesta opinião, vocês nem mereceriam o repasse inflacionário. Como brasileira autêntica, me decepciono, porém não desisto nunca, nem perco a fé. Minha esperança é de que, se não reverterem essa decisão na Justiça ou por meio da mobilização popular, pelo menos, os novos deputados federais gaúchos dêem um bom exemplo ao Estado e ao país, devolvendo ao povo parte correspondente ao aumento da remuneração. Assim, talvez, o Natal ocorra realmente, o ano de 2007 transcorra mais feliz e justo, e eu tenha menos dó de mim e de quem ainda consegue bancar o sustento familiar com pífios R$ 350 mensais. (18/12/2006)

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