Paciência. Está aí uma palavrinha que eu gosto e admiro... Sei que não sou muito amiga dela (o meu chefe diz que sou demasiadamente ansiosa), mas faço um esforço diário para respeitá-la. Ser paciente nos dias atuais virou coisa rara diante de tanta novidade e rapidez tecnológica. No mundo dos adultos, onde, apesar das evolução da informática, há fila para tudo, até mesmo em restaurante, ser paciente se transformou num verdadeiro teste de equilíbrio. No universo infantil, porém, acredito que ainda é possível curtir os efeitos da paciência, embora as crianças também estejam revelando-se cada vez mais agitadas.
Essa minha crença me faz lembrar de um menino com o qual descobri o valor de controlar os impulsos diante das coisas e das diferentes circunstâncias. Meu irmão Vagner, 10 anos mais jovem que eu, foi quem, lá por volta da segunda metade de 1990, me mostrou as belezas da paciência. Por incrível que pareça, foi uma criança a responsável por me dizer que cada coisa dispõe de um tempo de maturação até mesmo uma travessura.
- Entende ou não entende, mana? - perguntava Vagner, quando eu exigia que ele justificasse rapidamente suas safadezas, coisa que, num primeiro instante, lhe parecia de difícil resposta ou providência.
A expressão "entende ou não entende, mana?", que seguia as explicações do meu irmão, insinuava uma solicitação. Ele pedia para eu dar-lhe um tempo maior, ser mais paciente até ele buscar na memória um argumento plausível e adequado para sua atitude. Um argumento que, logicamente, não lhe encurralasse ainda mais.
Com olhar que só a infância proporciona, ele convencia fácil, deixando-me até menos impaciente. Hoje, Vagner continua bem mais tranqüilo que eu. Mesmo estando na fase da adolescência, onde a curiosidade, as dúvidas e as mudanças são personagens constantes, ele conduz as ações com maior delicadeza, sem irritação. Claro que apresenta seus momentos de impulsividade, mas são raros. O jeito de Vagner encarar a vida me serve de modelo desde que ele era pequeno. E o que me chama atenção nesse processo é que, tradicionalmente, são os irmãos mais velhos que dão exemplo. No meu caso, ocorreu o contrário. Observo, diante disso, que os modelos para nossas vidas não precisam ter idade fixa, nem tamanho. Podem estar próximos ou distantes de nós, ser mais experientes ou imaturos, vir das falas de um grande e ágil mestre ou de um pequeno e tranqüilo ser... (1/7/2005)
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